Avaliação para prescrição de órteses

Uma cadeira de rodas não deve ser adquirida pronta em uma loja de acessórios médicos, ao invés disso ela deve ser feita sob medida, pensando-se no objetivo de seu uso, na adequação de medidas antropométricas, quadro clínico, patologia e funcionalidade.

A prescrição ou receita de uma cadeira de rodas envolve o processo de adequação postural ou seating, isto é, a personalização e adaptação da cadeira para a pessoa que irá utilizá-la. Nesse processo é necessário levar em consideração vários parâmetros como: largura, altura e profundidade do assento, altura e inclinação do encosto, largura de ombros e quadris, altura e angulação dos joelhos, elevação de pedal, angulação do tilt ou recline de acordo com a necessidade de estabilidade na cadeira, tipo de freios, rodas e rodinhas, modelos dobráveis, almofadas rígidas ou acolchoadas para alívio de pressão, indicação ou proscrição de modelos motorizados de acordo como o grau da incapacidade.

É essencial também definir o objetivo de quem a utiliza, avaliando se ela será usada por curto período (uso temporário) como nos casos de traumas e fraturas,fase inicial da reabilitação de lesões com bom prognóstico de marcha, ou por período prolongado (uso definitivo) como em sequelas de lesão medular completa, AVC e TCE graves, amputações sem possibilidade de protetização e em patologias neurodegenerativas. O tipo de deslocamento, se eventual ou para longas distâncias, se de utilização diária ou com fins esportivos, são características que estão envolvidas na escolha e adequação de uma cadeira de rodas funcional e acessível em termos de custo e independência.

As novas tecnologias permitiram a confecção de cadeiras de rodas de nova geração,chamadas de incrementadas e especiais porque são mais confortáveis e geram maior independência e funcionalidade, adaptando-se aos movimentos e ao estilo do paciente. São confeccionadas em diferentes materiais como plástico, alumínio, liga de carbono,titânio e podem ter recursos especiais de propulsão,design diferenciado, rodas que enfrentam terrenos de areia e pedras. Quanto à motorização, as cadeiras de rodas podem ser eletromecânicas (cadeira motorizada, triciclo, quadriciclo) com função Stand Up,e eletro-eletrônicas. Estas utilizam componentes eletrônicos que se integram com recursos computacionais permitindo que o deslocamento da cadeira de rodas seja feito por comandos de joystick, movimentos da cabeça, mento ou voz, podendo ainda estarem conectados a controle remoto, teclado de laptop e automação da casa.

Vale lembrar que nem sempre a cadeira de rodas mais cara é a melhor cadeira.

Por exemplo, uma cadeira motorizada de última geração e de alto custo econômico, não é a melhor escolha e não está indicada para pacientes com paraplegia. Por que? Porque os pacientes paraplégicos além de possuírem boa capacidade de propulsão da CR com os membros superiores, também se beneficiam com o condicionamento cardiorrespiratório, aceleração do metabolismo, controle de balança energética e trofismo muscular que o esforço físico de tocar a cadeira lhes proporciona.

Um ponto de atenção no processo de aquisição de cadeiras de rodas é a percepção de que ela não é apenas uma tecnologia assistiva (TA) para a locomoção, mas representa um complemento a pessoa como se fosse uma espécie de vestimenta, e que como tal pode deixar de servir ou “caber”. Crianças crescem, pessoas emagrecem ou engordam, padrões de encurtamentos e postura se modificam   ao longo do tempo, assim como o quadro clínico, grau de incapacidade e funcionalidade também.

Resta claro que o processo de adequação postural e customização de CR é contínuo e detalhado, e que a prescrição de cadeira de rodas deve sempre ser supervisionada por profissionais especializados.

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